Análise apresentada pela economista Vivian Machado, do Dieese, destacou o desempenho dos principais bancos brasileiros, os impactos da nova regra contábil e os efeitos da digitalização sobre empregos e agências.
Durante o primeiro dia da 28ª Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias, a economista Vivian Machado, assessora da Contraf-CUT, apresentou um panorama do setor bancário em 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Segundo a análise, os grandes bancos mantiveram elevados níveis de rentabilidade, impulsionados principalmente pela expansão do crédito e pelas receitas com juros.
Crédito e transformação digital
Mesmo com a taxa Selic elevada e com a adoção de uma nova norma contábil que tornou mais rigoroso o reconhecimento de perdas com crédito, os bancos seguiram ampliando seus ganhos. A carteira de crédito das principais instituições alcançou cerca de R$ 6 trilhões, embora tenha sido registrado aumento da inadimplência entre pessoas físicas, empresas e operações ligadas ao agronegócio.
A apresentação também destacou os efeitos da transformação digital no sistema financeiro. Em 2025, os cinco maiores bancos do país fecharam mais de 1,3 mil agências e reduziram milhares de postos de trabalho, enquanto instituições digitais ampliaram sua participação no mercado. Apesar dessas mudanças, a rentabilidade do setor permaneceu elevada.
No caso do Banrisul, o lucro líquido do primeiro trimestre foi de R$ 221,6 milhões, resultado 8,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A queda foi atribuída ao aumento das provisões para perdas com crédito e ao crescimento da inadimplência. Ainda assim, o banco manteve indicadores de solvência considerados sólidos, ampliou sua margem financeira e preservou perspectivas positivas para o restante do ano.
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Texto: Maricélia Pinheiro
Foto: Leo Guterrez